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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A educação em tempos do Twitter

José Manuel Moran

Com todos os recursos móveis e em rede, muitas questões nos desafiam como educadores:

1. O papel do professor muda cada vez mais: Ensina menos, orienta mais, articula melhor. Ele se aproxima mais dos alunos, se movimenta mais entre eles.

2. Os tempos das aulas se tornam mais densos, para realizar atividades interessantes, que possam ser pesquisadas, produzidas, apresentadas e avaliadas no mesmo espaço e tempo. São inviáveis as aulas de 50 minutos.

3. As aulas não se resumem só aos momentos presenciais. Aumenta a integração com os ambientes digitais, com os ambientes colaborativos, com as tecnologias simples, fáceis, intuitivas.

4. Os espaços se multiplicam, mesmo sem sair do lugar (múltiplas atividades diferenciadas na mesma sala). O conteúdo pode ser disponibilizado digitalmente. Predominam as atividades em tempo real interessantes, desafios, jogos, comunicação com outros grupos.

5. Há uma exigência de maior planejamento pelo professor de atividades diferenciadas, focadas em experiências, em pesquisa, em colaboração, em desafios, jogos, múltiplas linguagens. Forte apoio de situações reais, de simulações.

6. Ganha importância maior a presença do aluno-monitor, que apóia os colegas e ajuda o professor, tanto nas atividades como nas orientações tecnológicas.

7. Aumenta a integração de ambientes digitais mais organizados (como o Moodle) com recursos mais abertos, personalizados, grupais, informais (web2.0) em todas as etapas de um curso. Para motivar, ilustrar, disponibilizar, pesquisar, interagir, produzir, publicar, avaliar com o envolvimento de todos.

8. Quanto mais tecnologias, maior a importância de profissionais competentes, confiáveis, humanos e criativos. A educação é um processo de profunda interação humana, com menos momentos presenciais tradicionais e múltiplas formas de orientar, motivar, acompanhar, avaliar.

9. É imenso – e mal explorado - o campo de inserção da escola na comunidade, de diálogo com pais, bairro, cidade, mundo, com atividades presenciais e digitais.

10. Podemos ter modelos de organização de aulas, atividades e de materiais formatados para todo o país. Só não podem ser aplicados ao pé da letra nem ficarmos reféns deles. Podem servir como roteiros de orientação dos alunos, personalizando-os, dando-lhes a nossa cara, indo além do que está previsto.

11. A educação continuada, permanente, para todos, formal e informal, presencial e a distância, abre imensos horizontes profissionais, metodológicos, mercadológicos, que mal vislumbramos ainda. Tudo está para ser feito, experimentado e reinventado de forma diferente. A educação pode ser o campo mais fértil da reinvenção, porque todas as pessoas, em todas as idades e condições, precisam desesperadamente de ajuda em múltiplos campos: da formação inicial à super-especializada.

12. Diante de tantas mudanças, tudo o que fizermos para inovar na educação será pouco.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Papel do Professor na Era Digital

Valéria de Paula Lima

Chegamos ao ano 2000 e se faz necessário pensar na emergência de uma nova economia, alguns a chamam de informacional, outros de economia globalizada.
As características da velha economia como visão nacional, regulação, monopólio, segurança e "status quo" não cabem nos novos tempos. Vejam só, assim vimos caminhar esta década que se passou e outras mais.
E hoje? Quais são as características desta nova economia?
Hoje caminhamos com uma visão global; a parceria é essencial entre o que é público e o privado; o que impera é a competição; todos vivem correndo riscos, não ouvimos mais alguém dizer: - vou me aposentar daqui há 25 anos. Tudo ocorre com muita velocidade e mudança é a lei.
Segundo Waldez L. Ludwig, "a hierarquia cedeu lugar a rede, reverenciamos as pessoas pelo conhecimento que possuem". Antes valorizávamos plantas, equipamentos, agora o que tem valor é o capital intelectual. Não trabalhamos mais em grupos, e sim, em times; cada um tem habilidades e competências que devem ser valorizadas.
E o nós professores? Já entramos na era do capital intelectual?
Qual é o nosso papel diante de um mundo tecnológico e veloz na era do conhecimento?
Possuímos o espaço mais valorizado desta era e no entanto, estamos totalmente fora dela. O médico que não se atualizou, não tem paciente; o supermercado que não informatizou seus equipamentos virou mercado, e a nossa escola? Possui alguns computadores, mas não sabemos o que fazer com eles... No espaço dedicado a aprender, a informação tem concorrente... Concorre com o giz e o quadro negro, com um amontoado de cópias e com pouquíssimos trabalhos em times, talvez alguns pequenos grupos discutindo... criar não é necessário.
Talvez estejamos assim porque nossos professores não puderam prever o futuro: não nos ensinaram a pensar e criar, a aprender a aprender e será que temos consciência do nosso potencial cognitivo, afetivo e social?
Esta resposta daremos aos nossos alunos, através da atualização do trabalho pedagógico. Não descartamos o velho... mas queremos deixar a escola a altura do seu tempo.
O que significa este aprender contínuo?
Para o Prof. José Armando Valente "é a possibilidade de aprender em qualquer lugar, a qualquer momento; a escola perde o monopólio da formação e passa ser um local para ajudar o aprendiz a atribuir significados a informação."
Mais importante ainda se torna o fazer e o compreender. Para compreender se faz necessário uma tomada de consciência, uma transformação. Para Jean Piaget, ser capaz de fazer com sucesso, não significa só compreender o que faz, mais ainda, compreender não é geral, está relacionado com o objeto da ação e depende do nível de interação com o objeto.
Para criar situações que estimulem a compreensão se faz necessário um ambiente rico em tecnologias da informação, em informação e com agentes de aprendizagem, que às vezes é o professor e muitas vezes, os próprios alunos quando nós nos tornamos aprendizes.
E a informática adquire assim, um papel importante porque pode explicitar e executar processos mentais e construir conhecimentos por meio do ciclo descrição - execução - reflexão - depuração.
Implantar a educação do compreender na escola não é uma tarefa fácil. É preciso torná-la um espaço de ação complexa e solidário envolvendo alunos, pais, professores, direção e especialistas.
Esta mudança só acontecerá se todos adotarem uma postura coerente dentro de uma nova lógica atuando como facilitadores da construção de mudança e entendendo os papéis dos diferentes elementos da escola.
O aluno é o ator principal: cria soluções, pensa e reflete, depura suas idéias, interage com sua cultura, trabalha em grupo e desenvolve a consciência do seu potencial cognitivo, social e afetivo.
Se o aluno é o ator principal, qual será nosso papel?
O professor facilitará a realização do ciclo da aprendizagem, desafiando o aluno, estabelecendo parcerias e ajudando a tomar consciência do seu potencial.
E o diretor?
O diretor também tem um papel fundamental: de criar o projeto de mudança com a comunidade escolar, de flexibilizar normas para implantação do ciclo da continuação da mudança e de trabalhar com a comunidade escolar e com especialistas externos.
Por isto, não estamos sozinhos. Nós temos que trabalhar juntos na construção desta nova escola.
Como diz Waldez L. Ludwig, a mudança vai acontecer pela educação, mas é preciso antes de tudo, mudar a educação.
Ter a escola na era digital não significa implantar laboratórios de informática, mas sim, criar possibilidades da construção da mudança na escola. E mudança não acontece por decreto, é algo que se constrói no caminhar.


Valéria de Paula Lima é mestranda em Informática Educacional.
Prof. José Armando Valente é professor Doutor e Coordenador do NIED/UNICAMP
Waldez L. Ludwig é psicólogo e assessor d várias empresas.

Projeto: uma nova cultura de aprendizagem

Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida
PUC/SP, Julho, 1999

A prática pedagógica por meio do desenvolvimento de projetos é uma forma de conceber educação que envolve o aluno, o professor, os recursos disponíveis, inclusive as novas tecnologias, e todas as interações que se estabelecem nesse ambiente, denominado ambiente de aprendizagem. Este ambiente é criado para promover a interação entre todos os seus elementos, propiciar o desenvolvimento da autonomia do aluno e a construção de conhecimentos de distintas áreas do saber, por meio da busca de informações significativas para a compreensão, representação e resolução de uma situação-problema. Fundamenta-se nas idéias piagetianas sobre desenvolvimento e aprendizagem, inter-relacionadas com outros pensadores dentre os quais destacamos Dewey, Freire e Vygotsky.

Trata-se de uma nova cultura do aprendizado que não se fará por reformas ou novos métodos e conteúdos definidos por especialistas que pretendam impor melhorias ao sistema educacional vigente. É uma mudança radical, que deve tornar a escola capaz de:
 atender às demandas da sociedade;
 considerar as expectativas, potencialidades e necessidades dos alunos;
 criar espaço para que professores e alunos tenham autonomia para desenvolver o processo de aprendizagem de forma cooperativa, com trocas recíprocas, solidariedade e liberdade responsável;
 desenvolver as capacidades de trabalhar em equipe, tomar decisões, comunicar-se com desenvoltura, formular e resolver problemas relacionados com situações contextuais;
 desenvolver a habilidade de aprender a aprender, de forma que cada um possa reconstruir o conhecimento, integrando conteúdos e habilidades segundo o seu universo de conceitos, estratégias, crenças e valores;
 incorporar as novas tecnologias não apenas para expandir o acesso à informação atualizada, mas principalmente para promover uma nova cultura do aprendizado por meio da criação de ambientes que privilegiem a construção do conhecimento e a comunicação.

A aprendizagem por projetos ocorre por meio da interação e articulação entre conhecimentos de distintas áreas, conexões estas que se estabelecem a partir dos conhecimentos cotidianos dos alunos, cujas expectativas, desejos e interesses são mobilizados na construção de conhecimentos científicos. Os conhecimentos cotidianos emergem como um todo unitário da própria situação em estudo, portanto sem fragmentação disciplinar, e são direcionados por uma motivação intrínseca. Cabe ao professor provocar a tomada de consciência sobre os conceitos implícitos nos projetos e sua respectiva formalização, mas é preciso empregar o bom-senso para fazer as intervenções no momento apropriado.

Trabalhar com projetos significa lidar com ambiguidades, soluções provisórias, variáveis e conteúdos não identificáveis a priori e emergentes no processo. Tudo isso se distingue de conjecturas pela intencionalidade explicitada em um plano que inicialmente é um esboço ou design caracterizado pela plasticidade, flexibilidade e abertura ao imprevisível, sendo continuamente revisto, refletido e reelaborado durante a execução.

O plano é a espinha dorsal das ações e vai se completando durante a execução na qual evidencia-se uma atividade que rompe com as barreiras disciplinares, torna permeável as suas fronteiras e caminha em direção a uma postura interdisciplinar para compreender e transformar a realidade em prol da melhoria da qualidade de vida pessoal, grupal e global.

O desenvolvimento de um projeto envolve um processo de construção, participação, cooperação e articulação, que propicia a superação de dicotomias estabelecidas pelo paradigma dominante da ciência e as inter-relaciona em uma totalidade provisória perpassada pelas noções de valor humano, solidariedade, respeito mútuo, tolerância e formação da cidadania, que caracteriza o paradigma educacional emergente (Moraes, 1997).

O professor que trabalha com projetos de aprendizagem respeita os diferentes estilos e ritmos de trabalho dos alunos desde a etapa de planejamento, escolha do tema e respectiva problemática a ser investigada. Não é o professor quem planeja para os alunos executarem, ambos são parceiros e sujeitos de aprendizagem, cada um atuando segundo o seu papel e nível de desenvolvimento.

As questões de investigação são formuladas pelos sujeitos do conhecimento levando em conta suas dúvidas, curiosidades e indagações e, a partir de seus conhecimentos prévios, valores, crenças, interesses e experiências, interagem com os objetos de conhecimento, definem os caminhos a seguir em suas explorações, descobertas e apropriação de novos conhecimentos.

Cabe ao professor incitar o aluno a tomar consciência de suas dúvidas temporárias e certezas provisórias (Fagundes et al., 1999), ao mesmo tempo em que o ajuda a articular informações com conhecimentos anteriormente adquiridos e a gerenciar o seu desenvolvimento.

O professor é o consultor, articulador, mediador, orientador, especialista e facilitador do processo em desenvolvimento pelo aluno. A criação de um ambiente de confiança, respeito às diferenças e reciprocidade, encoraja o aluno a reconhecer os seus conflitos e a descobrir a potencialidade de aprender a partir dos próprios erros. Da mesma forma, o professor não terá inibições em reconhecer seus próprios conflitos, erros e limitações e em buscar sua depuração, numa atitude de parceria e humildade diante do conhecimento que caracteriza a postura interdisciplinar.

A interdisciplinaridade (Fazenda, 1994) caracteriza-se pela articulação entre teorias, conceitos e idéias, em constante diálogo entre si; não é categoria de conhecimento, mas de ação (...) que nos conduz a um exercício de conhecimento: o perguntar e o duvidar (ib, 28). Esta postura favorece a articulação horizontal entre as disciplinas numa relação de reciprocidade, e, ao mesmo tempo, induz a um aprofundamento vertical na identidade de cada disciplina, propiciando a superação da fragmentação disciplinar.

A partir de uma mudança pessoal e profissional é que se começa a refletir sobre a mudança da escola para uma escola que incentive a imaginação criativa, favoreça a iniciativa, a espontaneidade, o questionamento e a inventividade, promova e vivencie a cooperação, o diálogo, a partilha e a solidariedade.

Mas, para transformar o sistema educacional é preciso que essa reciprocidade extrapole os limites da sala de aula e envolva todos que constituem a comunidade escolar: dirigentes, funcionários administrativos, pais, alunos, professores e a comunidade na qual a escola encontra-se inserida.

Referências Bibliográficas
Fagundes, L. C. et alli. Aprendizes do futuro: as inovações começaram. Cadernos Informática para a Mudança em Educação. MEC/ SEED/ ProInfo, 1999.
Fazenda, I. C. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 1994.
Moraes, M. C. O Paradigma Educacional Emergente. Campinas, Papirus, 1997.

A Lição do Bambu Chinês


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto,
não se vê nada, por aproximadamente 5 anos
exceto lento desabrochar de um diminuto broto,
a partir do bulbo.

Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo,
invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz,
que se estende vertical e horizontalmente pela terra
está sendo construída.

Então, no final do 5º. Ano, o bambu chinês,
cresce até atingir a altura de 25 metros.

Um escritor de nome Covey escreveu:
Muitas coisas na vida pessoal e profissional
são iguais ao bambu chinês.

Você trabalha, investe tempo, esforço,
faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e,
às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.

Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e
nutrindo, o seu 5º Ano chegará, e, com ele,
virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava.

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente
desistir de nossos projetos, de nossos sonhos, de nosso trabalho,
especialmente de um projeto fabuloso, que envolve mudanças...
de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização.

Devemos sempre lembrar do bambu chinês,
para não desistirmos facilmente
diante das dificuldades que surgirão.

Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida:
a Persistência e Paciência,
pois você merece alcançar todos os seus sonhos!!!

É preciso muita fibra para chegar às alturas e,
ao mesmo tempo,
muita flexibilidade para se curvar ao chão.


Fonte: Internet